IDH BRASIL Avança, Candeias Retrocede em Progresso

Educação e Renda: Os Desafios do IDH em Candeias

IDH BRASIL Avança, Candeias Retrocede em Progresso
Brasil Cresce, Candeias Desacelera

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma métrica global criada em 1990 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para avaliar o progresso socioeconômico de países, estados e municípios, com base em três dimensões principais: longevidade (expectativa de vida ao nascer), educação (anos médios de escolaridade e taxa de alfabetização) e renda (renda per capita ajustada). O IDH varia de 0 a 1, sendo que valores mais próximos de 1 indicam maior desenvolvimento humano. No Brasil, o IDH nacional tem mostrado avanços históricos, mas com desigualdades regionais e locais persistentes, como no caso de Candeias, na Bahia, onde o desenvolvimento humano enfrenta desafios crônicos.

Recentemente, o Brasil subiu cinco posições no ranking global de IDH, passando da 89ª para a 84ª colocação em 2023, com um IDH de 0,786, considerado de "alto desenvolvimento humano". Esse avanço foi impulsionado por melhorias na renda per capita e na expectativa de vida, embora a educação permaneça como um ponto de estagnação. Historicamente, o Brasil progrediu significativamente desde 1990, quando seu IDH era 0,590 (baixo desenvolvimento), alcançando 0,669 em 2000 (médio) e 0,726 em 2010 (alto). Contudo, o ritmo de crescimento desacelerou na última década, influenciado por crises econômicas, polarização política e desigualdades estruturais.

Em contraste, Candeias, localizada na região metropolitana de Salvador, enfrenta um cenário de desenvolvimento humano estagnado e abaixo da média nacional. O IDH municipal (IDH-M) de Candeias, segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (PNUD, Ipea, FJP, 2022), é de 0,660, classificado como "médio desenvolvimento", mas significativamente inferior ao de cidades mais desenvolvidas do Sul e Sudeste. Esse índice reflete desafios como baixos salários, especialmente no setor público e no funcionalismo municipal, precariedade na educação e infraestrutura limitada. A estagnação em Candeias é agravada por décadas de desigualdades regionais, com o Nordeste historicamente apresentando IDHs mais baixos devido à menor oferta de empregos e investimentos.

Há 22 anos, durante a gestão da ex-prefeita Antônia Magalhães, conhecida como Tonha Magalhães, Candeias viveu um período de relativo otimismo administrativo. Tonha, que governou entre 1997 e 2004, é lembrada por iniciativas que buscaram melhorar a infraestrutura urbana, como pavimentação de ruas e ampliação de serviços públicos, além de projetos sociais que visavam reduzir a pobreza. Sua administração é frequentemente citada como um marco positivo na história recente do município, mas os ganhos não foram suficientes para reverter estruturalmente o baixo IDH. A falta de continuidade em políticas públicas, aliada à dependência de empregos de baixa remuneração e à limitada industrialização local, contribuiu para a desaceleração do desenvolvimento humano nas décadas seguintes.

A importância do IDH reside em sua capacidade de fornecer uma visão holística do bem-estar humano, indo além do crescimento econômico puro (como o PIB). Ele serve como uma ferramenta para governos e organizações identificarem prioridades de investimento em saúde, educação e geração de renda, além de expor desigualdades. Em Candeias, o IDH baixo sinaliza a necessidade de políticas públicas focadas em melhorar a qualidade da educação, aumentar a empregabilidade com salários dignos e expandir o acesso a serviços de saúde. A estagnação do IDH local reflete um ciclo de subdesenvolvimento que perpetua a pobreza e limita a mobilidade social.

No contexto brasileiro, o contraste entre o avanço nacional e a realidade de Candeias ilustra a desigualdade regional. Enquanto o Sudeste e o Sul concentram municípios com IDHs elevados (acima de 0,8), o Nordeste, incluindo Candeias, enfrenta barreiras estruturais, como menor atração de investimentos e dependência de setores econômicos menos dinâmicos. A polarização política mencionada pelo PNUD também impacta, pois dificulta a implementação de políticas consistentes de longo prazo.

A educação em Candeias é um dos maiores gargalos. Dados do IBGE (PNAD Contínua, 2021) indicam que a escolaridade média no município é inferior à média nacional de 8,3 anos, com altas taxas de evasão escolar e baixa qualificação profissional. Isso limita a capacidade da população de acessar empregos bem remunerados, perpetuando a dependência de salários baixos, especialmente no setor de serviços e no funcionalismo público municipal, onde os "servmuito" (servidores municipais) enfrentam remunerações insuficientes.

A saúde em Candeias também reflete o IDH estagnado. Embora a expectativa de vida no município acompanhe a média estadual (cerca de 73 anos), a qualidade dos serviços de saúde é limitada, com hospitais e postos de saúde frequentemente sobrecarregados e subfinanciados. Investimentos em saneamento básico e prevenção de doenças poderiam elevar a longevidade e a qualidade de vida.

A renda per capita em Candeias, outro componente do IDH, é prejudicada pela estrutura econômica local. Apesar da proximidade com o polo industrial de Camaçari, o município não conseguiu atrair indústrias de alto valor agregado, dependendo de atividades como comércio e agricultura de pequena escala. A baixa remuneração dos servidores públicos municipais, mencionada como um fator de desaceleração, reflete a fragilidade fiscal da prefeitura, que luta para equilibrar despesas com investimentos em desenvolvimento.

O legado de Tonha Magalhães, embora positivo em alguns aspectos, não foi suficiente para transformar Candeias em um polo de desenvolvimento humano. A ausência de uma base econômica diversificada e a falta de integração com as dinâmicas econômicas da região metropolitana de Salvador limitaram os impactos de sua gestão. Além disso, os 22 anos desde o fim de seu mandato evidenciam a dificuldade de manter avanços sem continuidade administrativa.

A nível nacional, o Brasil enfrenta desafios semelhantes, mas em menor escala. O avanço de cinco posições no ranking global é um sinal positivo, mas o país ainda está atrás de vizinhos como Chile, Argentina e Uruguai, que possuem IDHs superiores a 0,8. A estagnação na educação, apontada como um obstáculo nacional, é ainda mais grave em Candeias, onde a infraestrutura escolar e a formação docente demandam investimentos urgentes.

A relevância estatística do IDH está em sua comparabilidade. Ele permite que Candeias seja avaliada em relação a outros municípios brasileiros e que o Brasil seja comparado globalmente. No entanto, críticos apontam que o IDH não captura nuances como desigualdade de gênero, violência ou sustentabilidade ambiental, o que é particularmente relevante em contextos como o de Candeias, onde a pobreza e a exclusão social são desafios diários.

Para reverter o baixo IDH de Candeias, seria necessário um plano integrado que combine: (1) investimentos em educação de qualidade, com foco na redução da evasão e na capacitação profissional; (2) atração de indústrias e empresas que gerem empregos bem remunerados; (3) melhoria da infraestrutura de saúde e saneamento; e (4) fortalecimento da gestão pública para garantir a continuidade de políticas eficazes. A experiência de Tonha Magalhães mostra que lideranças locais podem fazer a diferença, mas os resultados dependem de um esforço coletivo e de longo prazo.

O Brasil, por sua vez, precisa enfrentar a polarização política e investir em educação para sustentar os ganhos no IDH. A inteligência artificial, sugerida pela ONU como um caminho para retomar o desenvolvimento, poderia ser explorada em Candeias para modernizar a educação e atrair startups, mas isso exigiria infraestrutura tecnológica atualmente inexistente.

Em resumo, o IDH é uma ferramenta essencial para diagnosticar o desenvolvimento humano, mas sua aplicação em contextos como Candeias revela a complexidade de superar desigualdades históricas. Enquanto o Brasil avança lentamente no cenário global, Candeias permanece presa a um ciclo de estagnação, onde os ecos da gestão de Tonha Magalhães lembram o potencial de mudança, mas também os limites de ações isoladas. A transformação do município depende de estratégias que abordem simultaneamente educação, renda e saúde, alinhadas com as dinâmicas regionais e nacionais.